Política / Eleições 2026

Entorno avalia que candidatura conseguiu reduzir associação com Trump
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Flávio e Eduardo Bolsonaro nos EUA — Foto: Reprodução redes sociais
A duas semanas do primeiro turno, aliados de Flávio Bolsonaro (PL) avaliam que a candidatura conseguiu reduzir alguns dos principais flancos identificados no início da campanha, mas veem na atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos um risco de reabrir um deles. Integrantes do entorno do candidato consideram que a associação entre Flávio e o presidente americano Donald Trump perdeu força ao longo da disputa e temem que a pressão do irmão por novas sanções contra autoridades brasileiras faça ressurgir o “fantasma do tarifaço” na reta final.
A leitura de interlocutores de Flávio é que a candidatura chega às últimas duas semanas em situação diferente da enfrentada nos primeiros meses da corrida presidencial. Além de considerarem que a relação com Trump deixou de ocupar o centro das críticas ao senador, aliados apontam como trunfos a tentativa de associar politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao ministro Alexandre de Moraes e o maior espaço conquistado por temas como segurança pública e economia no confronto com o petista.
É nesse cenário que a movimentação de Eduardo nos Estados Unidos provoca incômodo. O ex-deputado tem defendido uma nova rodada de sanções contra Moraes e mantido o assunto em evidência. Para aliados de Flávio, o risco é que eventuais novas medidas americanas voltem a aproximar a candidatura do governo Trump justamente quando esse vínculo havia perdido espaço no debate eleitoral.
As declarações dos dois irmãos nesta quinta-feira evidenciaram a diferença de tom. Em Vitória da Conquista, na Bahia, Flávio procurou afastar qualquer participação americana na eleição ao ser questionado sobre a revelação de que o governo Trump apresentou ao Brasil uma exigência relacionada à participação de “dissidentes políticos” no pleito deste ano.
— Vamos ser bem claros, não existe ajuda do governo americano. Essa narrativa não vai colar, desculpa. Quem resolve a eleição é a gente aqui. A oposição está disputando a eleição. A gente disputa a eleição com as regras que estão aí — afirmou Flávio.
Eduardo, por sua vez, voltou a defender no mesmo dia a pressão dos Estados Unidos sobre autoridades brasileiras. O ex-deputado afirmou que pede sanções contra Moraes nos encontros que mantém no país e argumentou que eventuais medidas adotadas pelo governo americano independem do calendário eleitoral brasileiro.
— Os Estados Unidos não se guiam ao sabor da eleição brasileira, mas pela lei americana. Depois deste julgamento nesta semana, ficou claro que tem gente acobertando o Alexandre. Não somos nós que falamos quando vai ser. Em qualquer lugar que eu vou, peço sanção a Moraes.
O incômodo relatado por aliados não está na ofensiva contra Moraes. Flávio também intensificou os ataques ao ministro e passou a explorar a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) como um dos eixos de confronto com Lula na reta final. A preocupação é que a articulação de Eduardo nos Estados Unidos volte a vincular a candidatura às ações de Trump.
O precedente do tarifaço
O receio tem como pano de fundo o desgaste provocado pela ofensiva comercial de Trump contra o Brasil. O presidente americano vinculou medidas adotadas contra o país à situação de Jair Bolsonaro e a decisões do Judiciário brasileiro, enquanto Eduardo atuava nos Estados Unidos em defesa de sanções contra autoridades.
A combinação deu munição aos adversários para associar a família Bolsonaro às consequências econômicas das medidas americanas e transformou a relação com Trump em um ponto de atenção para Flávio durante a pré-campanha. Agora, aliados avaliam que o assunto perdeu peso, mas temem que a atuação de Eduardo e uma eventual nova rodada de sanções devolvam espaço ao tema a poucos dias da votação.
Eduardo diz, por outro lado, que também atua para evitar novas tarifas contra produtos brasileiros.
— A gente sempre pede para que não aumente tarifas, mas o fundamento das tarifas são problemas que Lula fez questão de não combater.
A avaliação no entorno de Flávio, porém, não é de que toda nova ofensiva do governo Trump seja necessariamente negativa para a candidatura. Auxiliares do presidenciável viram com bons olhos a pressão mais recente dos Estados Unidos sobre o governo Lula em relação ao combate ao crime organizado. Em relatório anual enviado ao Congresso americano com a lista dos principais países de trânsito e produção de drogas ilícitas, Trump afirmou que o governo brasileiro falhou em confrontar o PCC e o CV, classificados por Washington como organizações terroristas, e cobrou “medidas enérgicas” contra as facções.
Na avaliação de integrantes da campanha, a cobrança do presidente norte-americano cria um novo foco de desgaste para o petista e reforça um dos principais eixos da campanha de Flávio, que é justamente a defesa de uma política mais dura de segurança pública.
A leitura desses aliados é que a crítica americana às ações do governo brasileiro contra o PCC e o Comando Vermelho pode ser incorporada ao discurso eleitoral de Flávio sem que o candidato precise assumir a ofensiva de Trump. O senador tem procurado manter distância de qualquer participação americana na disputa e, ao mesmo tempo, explorar a segurança como uma área em que pretende se diferenciar de Lula.
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