Banfield e Barracas Central, time de Claudio Tapia, presidente da AFA, empataram em 1-1 no Sul, pela 9ª rodada do torneio Clausura. O Taladro mereceu mais, jogou melhor e teve as situações mais claras, mas uma das figuras do jogo foi o árbitro Sebastián Zunino, que acertou nas decisões erradas, especialmente na ação em que o VAR o convocou para revisar uma jogada por um suposto pênalti a favor do Barracas Central. Em geral, os juízes tendem a se alinhar ao que lhes é mostrado nas cabines nos monitores, mas neste caso foi para elogiar a atitude de Zunino, que não se deixou influenciar por uma infração que, embora várias repetições lhe fossem mostradas, nenhuma falta pôde ser observada. A ação envolveu o goleiro Rodríguez, o defensor Daniele e o atacante Norberto Briasco. E tudo havia ocorrido logo após outro pênalti (sancionado corretamente) pelo juiz principal alguns minutos antes. Jogava-se a segunda parte de um jogo que não teve muito brilho, mas que trouxe algumas emoções. Um apagão nas luzes do estádio fez com que o jogo fosse suspenso por três minutos (já haviam sido disputados cinco), mas retomou rapidamente. Barracas saiu para jogar com sua habitual linha de 5 defensores. Ele a utilizava antes com Insua e também desde a chegada de Damián Ayude, enquanto que a aposta de Troglio foi parecida, para espelhar sistemas: 5-3-2. A estratégia do DT do Taladro passou por juntar o duplo 9 Adrián Balboa e Alexander Machado, buscando lançamentos diretos para ataques verticais. E nesse papel destacou-se o armênio Adoryan, com passes que abriram fissuras no fundo do conjunto visitante. O gol de Lautaro Gómez estava a 10 segundos quando se gerou a primeira polêmica do jogo. Rocky Balboa caiu na área após um chute longo e pediu pênalti. Foi? Não. Não houve infração de Jappert. Primeiro acerto de Zunino. Pablo Gualtieri, linha 1, errou ao se apressar em sancionar uma posição adelantada de Abraham que picava em soledad pela esquerda após um passe filtrado de Adoryan e mandava um centro perigoso, justamente quando o Taladro avançava com superioridade numérica... Por que ele se apressou? E ali estava muito habilitado o carrilero esquerdo? A primeira situação de risco foi para o Guapo, com um mano a mano que o Ruso Rodríguez desviou para Briasco após um passe filtrado de Porra. A segunda foi para o time da casa, com um remate de Machado que se foi perto do poste esquerdo de Miño em uma jogada preparada de lateral. Mas a mais clara do primeiro tempo, até o 1-0, foi de Balboa aos 30 minutos, com um chute forte para o lado esquerdo após entrar driblando por direita contra Rak que acertou o poste direito do goleiro. Aos 47m30s dos 48 que se iam a disputar (Zunino havia adicionado três minutos e era para -pelo menos- cinco), chegou o terrível gol de Lautaro Gómez, atacante de 23 anos, que recebeu um passe sobre a esquerda, começou a driblar, deixou rivais no caminho e chutou a bola no ângulo superior esquerdo de Miño. O curioso é que a ação anterior havia nascido de um contra-ataque de um canto a favor do Guapo que despejou o goleiro e todos começaram a correr; ficou Machado mão a mão com Miño, chutou para o lado esquerdo e o goleiro venceu o duelo. Mas, quando Ayude parecia que o pior havia passado, chegou o (merecido) festejo do Banfield. Barracas empatou de pênalti, aos 16 da segunda etapa, por uma mão de López García, que quis rechazar um envio passado desde a direita do ataque visitante e, após um mau cálculo, em vez do peito colocou a mão. Pênalti bem cobrado por Zunino, inclusive ninguém do Taladro protestou. Iván Tapia o transformou no 1-1 com um chute baixo para o poste esquerdo. Quatro minutos depois Barracas pediu outro pênalti, por uma suposta infração desde atrás de Daniele quando ia mão a mão contra o Ruso Rodríguez e o ex-Boca acabou batendo no goleiro. Zunino disse que ele levante-se, que nada passou, por mais que o atacante esteve dolorido vários minutos. Mas Pablo Echavarría, desde o VAR, chamou Zunino para ver a jogada no monitor. "Após ver a revisão mantenho a decisão.", É canto, não pênalti meninos", disse Zunino com o microfone, enquanto os torcedores insultavam Chiqui Tapia. Nicolás Capraro teve de substituir Tomás Porra, que pediu a troca com lágrimas após escorregar e lesionar o joelho direito. O melhor do jogo foi Machado depois do 1-1, com um chute com o pé esquerdo que fez Miño brilhar com outra defesa. A compreensão demonstrada pelos dois atacantes centrais, Machado e Balboa, foi a melhor notícia para um Banfield ao qual tudo custa o dobro. Pedro Troglio está fazendo um bom trabalho, mas a crise econômica do clube do Sul o coloca contra as cordas no que diz respeito à hierarquia com a qual ele pôde formar o elenco. Mesmo assim, eles se esforçam e conseguem pontos que os iludem em sair dessa situação. Nos últimos tempos, observaram-se muitos jogos em que erros polêmicos terminaram beneficiando o Barracas Central, time de Claudio Tapia, presidente da AFA. Não é comum que um juiz acerte e não se deixe influenciar por um erro que ia fazer Echenique cometer desde o VAR. Parabéns a Zunino, que, ao não observar nas imagens nenhuma infração, manteve-se -com personalidade e critério- em sua decisão.














