Política / Eleições 2026

Redução da alienação eleitoral era um dos objetivos da campanha petista para ampliar votação no presidente após resultado do primeiro turno

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Lula em ato final da campanha na Avenida Paulista, na véspera do segundo turno — Foto: Maria Isabel Oliveira
Apontada como fundamental para a virada de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026, a redução da abstenção e dos votos brancos e nulos levou esses índices a patamares históricos. O percentual de pessoas que não foram às urnas é o menor em 20 anos. Já a soma de branco e nulo atingiu o menor patamar do século.
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O segundo turno deste ano teve 19,2% de abstenção (30,5 milhões de eleitores), patamar apenas maior do que de 2006, que foi de 18,9%. Já a soma de brancos e nulos de 2026 ficou em 3,2%, que somam 4,1 milhões de pessoas. No primeiro turno deste ano, 33,4 milhões faltaram às urnas — proporcionalmente, isso representava 21%, o maior patamar desde 1998. Brancos e nulos somaram 5,9 milhões. Com isso, foram 4,7 milhões de votos a mais neste turno do que no anterior.
— Os estudos mostram que, tradicionalmente, quando a abstenção é muito alta, os partidos de esquerda são prejudicados. E isso aconteceu neste ano. No primeiro turno, os estados em que mais pessoas não foram às ruas foram aqueles que Lula perdeu — afirmou Marcia Dias, pesquisadora do tema e diretora da Escola de Ciência Política da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). — E a reversão desse cenário me parece responsável por essa vitória.
Índice de abstenção no segundo turno — Foto: Editoria de arte
Objetivos da campanha
A diminuição da alienação eleitoral era um dos objetivos da campanha petista desde a derrota no primeiro turno. A avaliação era que mobilizar eleitores que não haviam comparecido ao primeiro turno poderia ser determinante para ampliar a votação de Lula em uma eleição marcada pelo equilíbrio entre os candidatos.
Neste segundo turno, o presidente reeleito aumentou em mais de 10 milhões o seu número de votos em relação ao primeiro, passando de 53.879.538 eleitores para 64.170.618. O crescimento foi três vezes maior que o do seu adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL), que teve um incremento de apenas 3,6 milhões de eleitores (leia mais na página 9). No primeiro turno, ele recebeu 56.104.503 votos e agora foram 59.790.152.
Menor taxa no Nordeste
O Nordeste, única região onde Lula ganhou, teve a menor taxa de abstenção do país: passou de 18,3% do primeiro turno para 16,5%. O Ceará, por exemplo, já teve uma taxa baixa de abstenção no primeiro turno, de 15,5%, e diminuiu ainda mais para 13,8% no segundo. Bahia e Pernambuco tiveram as maiores quedas: passando de 19,9% para 16,7% e 18,1% para 15,1%, respectivamente.
O Sul e o Sudeste também tiveram quedas relevantes: 2,2% e 2,4%, respectivamente. Eles passaram de 20,4% de pessoas que não foram às urnas para 18,1% e de 22,7% para 20,2%. A única região que registrou um aumento no número de abstenção foi o Norte, que passou de 19,4% para 21,2%, resultado puxado pelos estados do Amapá, onde Lula ganhou, Roraima e Acre, ambos que deram a vitória a Flávio Bolsonaro.
— E o que levou a essa reversão foi o engajamento das ruas, quase imediato após a derrota no primeiro turno. No dia seguinte, os alunos da Universidade Federal Fluminense (UFF) foram as ruas puxando um movimento de participação político inédito desde a redemocratização brasileira — analisou a especialista.
A aposta da campanha para reverter esse cenário de alienação eleitoral foi uma intensa mobilização digital, comandada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), e também manifestações de rua que encheram ruas de diversas capitais do país.
São Paulo esteve no centro das preocupações das campanhas. No primeiro turno, o estado registrou 7,69 milhões de eleitores ausentes, o equivalente a 22,54% do eleitorado. Esse patamar caiu para 6,7 milhões no segundo turno, o que correspondeu a 19,8%.
Só na capital paulista mais de 2,1 milhões de pessoas deixaram de votar, em um índice de 23,4%. Isso passou para 1,8 milhão de eleitores no segundo turno, o que corresponde a 20,3% de quem vota na capital paulista
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