As fatias de maçã acomodadas sobre a massa ainda vão ao forno, mas a escolha do tipo da fruta fará toda a diferença no resultado. Algumas maçãs são firmes e conservam os pedaços durante o cozimento, e outras cedem até virar um purê. Algumas maçãs trazem a acidez que equilibra um recheio açucarado. Outras maçãs são tão doces que vale prová-las antes de decidir quanto açúcar usar. A maçã que se come com casca no intervalo da tarde pode reaparecer na salada, no bolo ou ao lado de uma carne de porco assada. Conhecer as diferenças entre os tipos de maçã ajuda a aproveitar melhor cada uma dessas possibilidades.Foi justamente a diversidade das maçãs que deu origem à comemoração de 21 de outubro. A organização britânica Common Ground criou o Apple Day em 1990, quando a perda de pomares tradicionais ameaçava variedades regionais de maçãs e a vida que existia ao redor das árvores. O primeiro encontro aconteceu em Covent Garden, em Londres, com 40 barracas. Produtores de frutas e mudas dividiram espaço com fabricantes de suco e sidra, escritores e ilustradores. Havia maçãs para conhecer, provar e levar para casa, além de árvores para continuar plantando.A preocupação vinha de alguns anos antes. Em 1987, durante um trabalho sobre árvores e paisagens, Sue Clifford e Angela King, da Common Ground, perceberam o declínio dos pomares britânicos. Com eles, desapareciam conhecimentos de plantio, receitas e histórias ligadas a cada região. No Brasil, a Associação Brasileira de Produtores de Maçã divulga o 21 de outubro como Dia Internacional da Maçã. Por aqui, a maçã tem uma geografia concentrada no Sul. Segundo a Produção Agrícola Municipal do IBGE, o Brasil colheu cerca de 1,15 milhão de toneladas em 2025, com o Rio Grande do Sul na liderança, seguido de Santa Catarina. O Paraná completa o grupo dos principais estados produtores, enquanto Minas Gerais e São Paulo têm volumes bem menores. Os pomares gaúchos também se espalham por Bom Jesus, Caxias do Sul, São Francisco de Paula e Monte Alegre dos Campos. Em Santa Catarina, Fraiburgo, Bom Jardim da Serra, Urubici e Urupema fazem parte dessa produção. No Paraná, Palmas, Lapa, Campo do Tenente e Porto Amazonas estão entre os polos. O país onde uma variedade surgiu não indica a procedência da fruta comprada. Uma maçã Gala, que tem origem neozelandesa, pode ter sido cultivada em solo brasileiro.O Brasil produz, exporta e também importa maçãs. Em 2025, comprou 213,6 mil toneladas de fruta fresca de outros países, por US$ 233,2 milhões, e vendeu 13,8 mil toneladas, por US$ 14,7 milhões. Os dados são do Comex Stat, compilados pela Epagri/Cepa. Chile, Itália, Argentina e Portugal foram os principais fornecedores em volume; Índia, Portugal, Irlanda e Reino Unido estiveram entre os principais destinos. Há ainda o comércio de suco. Foram quase 9.000 toneladas exportadas, por US$ 16 milhões, sobretudo para Estados Unidos e Japão.Na cozinha, Gala e Fuji são um bom ponto de partida para perceber o que muda de uma maçã para outra. A Gala tem sabor doce e suave, com polpa suculenta e crocante. Vai bem fresca, em saladas de frutas e em purês. A Fuji, de origem japonesa, também concentra doçura, mas traz uma polpa firme, bastante suculenta, que pode ser aproveitada em strudels e geleias.A Golden Delicious, originária dos Estados Unidos, tem doçura que lembra mel e sabor suave. Pode ser comida fresca ou usada em tortas e purês. A canadense Ambrosia também apresenta notas de mel, pouca acidez e polpa crocante. Suas fatias cabem em saladas, e os pedaços podem entrar em muffins. Provar a fruta antes de começar permite perceber essas diferenças de doçura e decidir como combiná-la com os demais ingredientes, especialmente quando a preparação já leva açúcar, mel ou uma massa adocicada.Quem procura uma acidez mais evidente, como eu, costuma reconhecer a Granny Smith pela casca verde. Eu gosto demais de maçã verde. A variedade surgiu na Austrália e tem polpa firme e crocante, que conserva bem a forma no forno. Por isso aparece com frequência em tortas nas quais os pedaços de maçã continuam visíveis depois de assados. Também pode ser fatiada em saladas ou servida com queijos. Sua acidez faz diferença na comparação com as maçãs mais doces, inclusive quando duas variedades são usadas no mesmo recheio.Também australiana, a Cripps Pink combina doçura e acidez numa polpa firme. Pode ser consumida fresca, entrar em tortas e participar da produção de sidra. É a variedade que deu origem à marca Pink Lady, usada para frutas que atendem aos padrões comerciais exigidos pela marca. A distinção aparece em outros nomes encontrados no mercado. Jazz, por exemplo, é a marca da variedade Scifresh, desenvolvida na Nova Zelândia a partir de Royal Gala e Braeburn. A fruta é crocante, suculenta e doce-ácida, adequada para comer fresca, preparar tortas ou acrescentar a saladas salgadas.A Braeburn, também neozelandesa, tem sabor doce-ácido e aroma com notas que lembram especiarias. Pode ser comida ao natural, usada em sucos ou levada ao forno num crumble, a sobremesa em que a fruta recebe uma cobertura de farofa doce.Entre as norte-americanas, a Honeycrisp chama a atenção pela quantidade de suco e pela crocância da polpa. Desenvolvida pela Universidade de Minnesota, reúne doçura e acidez e pode ser servida fresca, em saladas ou numa tábua de queijos. A Cosmic Crisp, desenvolvida na Universidade Estadual de Washington, também tem polpa firme e suculenta, com sabor doce-ácido e casca vermelha pontilhada. Além de ser comida fresca e combinada com queijos, pode entrar em tortas. O nome Cosmic Crisp é uma marca, com identificação da variedade WA 38.Para um purê, uma maçã que amolece facilmente pode ser conveniente. A McIntosh, de origem canadense, tem polpa tenra, suculenta e aromática, com doçura e acidez. Ela se desfaz mais depressa no cozimento e também pode ser usada em tortas, desde que a receita considere essa característica. A Elstar, surgida nos Países Baixos, oferece polpa suculenta e sabor doce-ácido. É consumida fresca e usada em compotas, purês e tortas de maçã.A Opal é fácil de distinguir pela casca amarela. Desenvolvida na República Tcheca, tem polpa firme e crocante, doce, com um toque de acidez. Eu nunca comi e fiquei curiosa. O Instituto de Botânica Experimental da Academia de Ciências da República Tcheca, que desenvolveu a fruta, descreve sua resistência ao escurecimento depois do corte. Isso favorece seu uso em saladas e em preparações nas quais a fruta fica exposta, além do consumo fresco. Ela também pode ser assada. Opal também é um nome comercial, associado à variedade UEB 32642. E, por falar em escurecimento de maçã, para evitar que as frutas escureçam, é só espremer umas gotas de limão por cima da fruta.Há maçãs cujo nome guarda uma ligação mais estreita com o lugar de cultivo. É o caso da portuguesa Maçã Bravo de Esmolfe, originária da aldeia de Esmolfe, em Penalva do Castelo. Aromática, doce e de polpa macia e suculenta, pode ser comida fresca e aproveitada em geleias e outras sobremesas. A denominação de origem protegida identifica a fruta produzida na região delimitada e de acordo com as regras específicas de cultivo e comercialização. Nesse caso, o nome também informa uma procedência.Na Grécia, Mila Zagoras Piliou é a denominação protegida das maçãs ligadas à região de Zagora, nas encostas do monte Pelion. São frutas de casca vermelha viva, doces, aromáticas e suculentas. Podem ser comidas frescas, assadas ou acompanhar carne de porco, combinação presente nas receitas da cooperativa de produtores da região.Da mesma região grega vem a Firiki Piliou, pequena, doce e aromática, com polpa firme e baixa acidez. Também protegida por denominação de origem, ela pode ser consumida fresca, usada na confeitaria ou preparada em calda, como os doces de colher gregos, conservas de frutas em açúcar servidas em pequenas porções.✅Para saber tudo do mundo dos famosos, siga o canal de entretenimento do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp












