Política / Eleições 2026

Empate técnico nesta fase do pleito mostrado pela rodada mais recente das pesquisas Quaest e Datafolha provocou mudanças nas campanhas dos presidenciáveis
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Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). — Foto: Cristiano Mariz / Brenno Carvalho / Agência O Globo
Desde 1989, com a redemocratização, jamais uma corrida presidencial registrou uma virada entre o primeiro e o segundo turno. O cenário sem reviravoltas acirra a disputa recente entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que, após o petista ver a vantagem que tinha nas pesquisas minguar, já aparecem em empate técnico nos últimos levantamentos da Quaest e do Datafolha. As movimentações levaram as duas campanhas a modulares estratégias para tentar fechar o dia 4 de outubro na liderança.
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Em quatro décadas, o país teve sete disputas pelo Planalto encerradas no segundo turno — em todas, quem obteve mais votos no primeiro domingo de eleição sagrou-se vencedor. Divulgada na segunda-feira, a Quaest mostrou Lula com 37% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio. Foi a primeira vez que ambos apareceram em empate técnico, no limite da margem de erro de dois pontos percentuais, nesta fase dos levantamentos do instituto. Já no Datafolha mais recente o petista marcou 39% e o bolsonarista, 36%.
A disputa acirrada provocou mudanças nas campanhas. Enquanto Lula passou a reconhecer as dificuldades de sua gestão e a adotar um discurso mais "pé no chão", Flávio optou por reforçar o discurso econômico voltado para a redução do custo de vida, em um apelo ao "voto útil" na direita.
O cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), avalia que chegar à frente no primeiro turno "dá impulso político, facilita a atração de novos apoios e, sobretudo, obriga o adversário a correr atrás do resultado". Autor do levantamento que embasa a matéria, o pesquisador ressalta, entretanto, que a vantagem perde força na conjuntura atual se vier acompanhada de uma margem muito estreita:
— Se os dois candidatos atravessarem o primeiro turno praticamente empatados, separados por menos de cinco pontos, uma virada se torna uma possibilidade concreta. Basta uma pequena migração de votos ou uma diferença na abstenção para inverter a ordem de chegada.
O cientista político e sociólogo Antonio Lavareda tem avaliação semelhante:
— A diferença entre eles estabelece os limites do mercado eleitoral que os dois principais postulantes disputam no segundo turno. Neste ano, o fato de que a maioria absoluta dos candidatos menos competitivos está no campo da direita faz diferença crucial para prognosticar a possibilidade de reeleição do presidente — afirma Lavareda, que completa: — Lula precisa estar à frente por 4 ou 5 pontos percentuais em 4 de outubro para ter chance de vitória em um segundo turno.
Sem reviravoltas
Desde 1989, o Brasil teve sete eleições presidenciais com segundo turno. A primeira delas foi vencida por Fernando Collor em disputa contra o próprio Lula. O petista, por sua vez, foi eleito nas duas ocasiões seguintes. Em ambos os casos, chegou próximo de uma vitória em primeiro turno e conquistou mais de 60% dos votos na fase final do pleito.
Em 2006, inclusive, Geraldo Alckmin, atual vice de Lula, terminou o segundo turno contra o então postulante à reeleição com 2,4 milhões de votos a menos do que o conquistado no primeiro turno. Oito anos depois, em 2014, Dilma Rousseff saiu de uma vantagem de 8 pontos percentuais sobre Aécio Neves para uma vitória por apenas 3,3 pontos no segundo.
A disputa entre Dilma e Aécio era a mais apertada desde a redemocratização até o pleito passado. Em 2022, Lula saiu de 5,2 pontos percentuais de vantagem sobre Jair Bolsonaro no primeiro turno para somente 1,8 ponto no segundo.
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