Desde 2009, pessoas do mundo todo se unem no Dia Mundial da Meningite para exigir um futuro livre dessa doença devastadora. Celebrada em 5 de outubro, anualmente, a campanha foi criada pela Confederation of Meningitis Organisations, é coordenada pela Meningitis Research Foundation e tornou-se o maior movimento mundial dedicado à ação coletiva contra a meningite.

É um momento para levantar vozes, compartilhar informações vitais de conscientização, apoiar os afetados e exigir as melhorias urgentes na saúde, necessárias para vencer a doença.

Principais mensagens:

– Proteger: saber o que é a meningite;

– Apoiar: é necessário agir agora;

– Derrotar: para um mundo livre da meningite.

A meningite é rápida, implacável e pode matar em até 24 horas. Pode atingir qualquer pessoa, em qualquer lugar e a qualquer momento, transformando vidas em questão de horas. Mesmo com acesso a assistência médica, a condição pode progredir tão rapidamente que o tempo se esgota antes que as pessoas recebam o tratamento de que necessitam. Para os sobreviventes, o impacto pode durar a vida toda, com sequelas como perda auditiva, danos cerebrais, perda de membros e epilepsia, exigindo cuidados e apoio de longo prazo.

Mas é possível vence-la! As ferramentas necessárias para salvar vidas e proteger o futuro são conhecidas: maior acesso a vacinas, diagnóstico mais rápido, melhores tratamentos e suporte, além de mais investimentos para levar tudo isso a todas as pessoas. Agora, é preciso agir. Esse é o propósito da data comemorativa.

Mundialmente, os países comprometeram-se com o World Health Organization’s Global Road Map to Defeat Meningitis by 2030, uma iniciativa para melhorar a prevenção, o diagnóstico, o tratamento, a monitorização da doença, a defesa da saúde e o apoio aos cuidados posteriores, salvando até 200.000 vidas por ano e reduzindo de forma significativa as incapacidades causadas pela meningite. Por meio da ação global coletiva, isto pode se tornar realidade até 2030!

Meningite: uma emergência médica

A doença é, em grande parte evitável, mas mesmo assim muitas pessoas morrem em menos de 24 horas.

– 2,5 Milhões de pessoas são afetadas globalmente a cada ano.

– 1 em cada 5 sobreviventes da meningite bacteriana convivem com deficiências permanentes.

– 1 em cada 3 mortes por meningite ocorre principalmente em crianças menores de cinco anos.

No Brasil, a meningite é considerada uma doença endêmica com ocorrência de casos ao longo de todo o ano. As meningites bacterianas e virais são as de maior importância para saúde pública, ocorrendo em maior número de casos, e as crianças são as mais afetadas.

As meningites bacterianas ocorrem com maior frequência no outono e inverno e as virais são mais comuns na primavera e no verão.

As ocorrências na população geral variam em média de 2 a 4 casos para cada 100 mil habitantes, no entanto, crianças menores de cinco anos são as mais atingidas pela doença.

De 1º/1/2010 a 30/6/2025 foram notificados 377.922 casos suspeitos de meningite no Brasil, dos quais 246.280 foram confirmados (65,2%), com média de 15.293 casos confirmados por ano. No mesmo período, entre os casos confirmados, foram registrados 23.986 óbitos, sendo uma média de 1.500 óbitos por ano.

Em crianças menores de cinco anos, a ocorrência de meningite bacteriana, a partir de 2023, variou de 8 a 10 casos para cada 100 mil crianças. Já para a meningite viral, a variação foi de 12 a 22 casos para cada 100 mil crianças. Apesar disso, a meningite bacteriana apresentou número de óbitos substancialmente maior do que o observado para a forma viral, registrando, em média, 17 vezes mais óbitos no período analisado.

Informações epidemiológicas detalhadas estão disponíveis no Informe: Meningites. 2ª ed., 2025

A meningite é uma inflamação das membranas que envolvem e protegem o cérebro e a medula espinhal (meninges). Pode ser causada por vírus, bactérias, fungos ou parasitas e, em alguns casos, evolui rapidamente, colocando a vida em risco. A doença também pode ocorrer por condições não infecciosas, como doenças inflamatórias, traumas ou reações a medicamentos.

Transmissão:

As meningites bacterianas e virais são geralmente transmitidas de pessoa para pessoa por contato próximo, por meio de gotículas respiratórias (fala, tosse, espirro). Porém, os agentes causadores da doença também podem ser transmitidos por via fecal-oral ou por meio de água ou alimentos contaminados.

Importante: algumas pessoas podem ser portadoras de bactérias causadoras de meningite sem apresentar sintomas, mas ainda assim transmitir o agente.

As meningites fúngicas e parasitárias não são transmitidas de pessoa para pessoa. Geralmente os fungos são adquiridos por meio da inalação dos esporos (pequenos pedaços de fungos) que entram nos pulmões e podem chegar até as meninges. Já os parasitas infectam as pessoas pela ingestão de alimentos contaminados com a forma ou fase infecciosa do parasita.

Sintomas:

Os sintomas da meningite podem variar conforme o agente causador, mas alguns sinais são comuns. Sintomas mais frequentes incluem febre, dor de cabeça intensa, rigidez no pescoço, náuseas, vômitos e sensibilidade à luz.

Em bebês e crianças pequenas, os sinais podem ser irritabilidade, choro persistente, recusa alimentar, vômitos e moleira estufada/inchada (fontanela abaulada).

Sinais de gravidade incluem confusão mental, convulsões, dificuldade para acordar e manchas vermelhas ou arroxeadas na pele. Na presença desses sinais, o atendimento médico deve ser imediato.

Tipos e sintomas de meningite de acordo com o agente causador

Meningite bacteriana:

Geralmente mais grave, pode evoluir rapidamente e exige internação imediata. As principais bactérias associadas são Neisseria meningitidis, Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae.

Os sintomas incluem febre, dor de cabeça e rigidez de nuca. Muitas vezes há outros sintomas, como: mal-estar, náusea, vômito, fotofobia (aumento da sensibilidade à luz), status mental alterado (confusão). Com o passar do tempo, alguns sintomas mais graves podem aparecer, como: convulsões, delírio, tremores e coma.

Nos quadros de meningococcemia, que é uma infecção na corrente sanguínea causada pela bactéria Neisseria meningitidis, além dos sintomas já descritos, podem aparecer outros como: fadiga, mãos e pés frios, calafrios, dores severas ou dores nos músculos, articulações, peito ou abdômen, respiração rápida, diarreia e manchas vermelhas pelo corpo.

Meningite viral:

É a forma mais frequente e, na maioria dos casos, apresenta evolução benigna, com recuperação espontânea. No entanto, os sintomas iniciais podem ser bastante semelhantes aos da meningite bacteriana: febre, dor de cabeça, rigidez de nuca, náusea, vomito, fotofobia (aumento da sensibilidade à luz). A meningite viral também pode ser acompanhada de episódios de diarreia.

Meningite fúngica:

É a forma menos comum, costuma ter uma evolução lenta e acomete principalmente pessoas com imunidade reduzida. Geralmente produz quadros graves. Os sinais e sintomas de meningite fúngica são parecidos com os causados por outros tipos de agentes etiológicos: febre, dor de cabeça, rigidez de nuca, náusea, vômitos, fotofobia (sensibilidade à luz), e status mental alterado.

Meningite parasitária:

Rara, geralmente associada à ingestão de alimentos ou água contaminados. O quadro pode ser subagudo, mas os sinais e sintomas são semelhantes aos demais tipo de meningites, podendo apresentar dores de cabeça, rigidez de nuca, náuseas, vômitos, fotofobia (sensibilidade à luz) e/ou estado mental alterado (confusão).

Tratamento:

A meningite é uma emergência médica. Todos os casos suspeitos devem ser internados para avaliação e tratamento. O início do tratamento não deve ser atrasado por conta da realização de exames laboratoriais para identificação do agente causador. A conduta é sempre definida pela equipe médica responsável.

– Meningite bacteriana: tratamento com antibióticos específicos, além de cuidados de suporte.

– Meningite viral: na maioria dos casos, acompanhamento clínico; antivirais são indicados apenas em situações específicas.

– Meningite fúngica: tratamento prolongado com antifúngicos.

– Meningite parasitária: uso de medicamentos específicos e controle dos sintomas.

Prevenção:

A prevenção depende do agente causador, mas a vacinação é a principal medida de proteção, especialmente contra as meningites bacterianas.

As vacinas disponíveis no Programa Nacional de Imunização do Sistema Único de Saúde são:

– BCG: protege contra formas graves da tuberculose, incluindo meningite;

– Pneumocócica: previne doenças invasivas, incluindo meningite;

– Penta: protege contra Haemophilus influenzae tipo b;

– Meningocócica C: protege contra o meningococo sorogrupo C;

– Meningocócica ACWY: protege contra o meningococo dos sorogrupos A, C, W e Y.

Outras medidas importantes incluem lavar as mãos com frequência, manter ambientes ventilados e seguir a etiqueta respiratória.

Fontes:

International Society for Infectious Diseases (USA)

Ministério da Saúde

Organização Mundial da Saúde

4/10 – Dia Nacional do Agente Comunitário de Saúde e dos Agentes de Combate às Endemias