Galinha Pintadinha fala de estreia no cinema, Galo Carijó e inspiração Gaga

Ela canta, dança, atua e agora é uma estrela do cinema. A dona do currículo é azul com pintinhas brancas e atende pelo nome de Galinha Pintadinha. A diva pop da animação brasileira chegou às telonas do cinema na quinta-feira (1) com o longa "Galinha Pintadinha - O filme".

✅ Baixe o globopop, o app de vídeos verticais da globo
Galinha Pintadinha no gshow: diva popópop deu entrevista para o portal — Foto: gshow
O lançamento tem ares de superestreia - para comemorar os 20 anos da personagem -, e também pelo valor investido na obra: R$ 35 milhões - maior orçamento de uma animação nacional.
gshow entrevistou a Galinha Pintadinha — Foto: gshow
O gshow foi atrás da estrela e, depois de muita insistência, conseguiu um papo exclusivo com a Galinha - em poponês (!) . No papo, ela falou sobre sua nova fase no cinema, do relacionamento estremecido com Galo Carijó, revelou se já está milionária e muito mais (veja no vídeo acima).
Cena do filma da Galinha Pintadinha — Foto: Divulgação
Os criadores da personagem, Juliano Prado e Marcos Luporini, também conversaram com o gshow e falaram da concepção do longa, da decisão de dar voz à Galinha e do amadurecimento da personagem. Confira!
Juliano Prado e Marcos Luporini, os criadores da Galinha Pintadinha — Foto: Divulgação
gshow: Quando vocês viram que era o momento de fazer um filme da Galinha para os cinemas?
Juliano Prado: O que nos fez pensar em fazer um filme foi, justamente, encarar o desafio de criar uma história cinematográfica, com as características próprias do cinema. Desde o começo, a nossa preocupação era que tivesse cara de filme, e não que parecesse simplesmente uma extensão daquilo que já fazemos para a internet.
Por isso, começamos pela história e pensamos em uma aventura que tivesse uma narrativa e uma linguagem cinematográficas, mas que preservasse os fundamentos da Galinha: os personagens, a música e essa capacidade de conversar com diferentes gerações.
Galinha Pintadinha participa de 'jogo rápido' exclusivo com o gshow. Assista!
gshow: Por que fazê-la falar nesse filme?
Marcos Luporini: Foi uma decisão muito ligada à própria história da personagem. A Galinha sempre se comunicou pela música, pelas expressões e pelas situações que vivia, então fazer com que ela ganhasse voz precisava ter um significado dentro da narrativa. No filme, ela passa por uma jornada de coragem e de descoberta, de entender quem ela é e de conseguir se expressar. Nesse sentido, o momento em que ela finalmente fala também funciona como uma metáfora dessa transformação. E foi uma decisão que gerou bastante conversa entre a gente.
No começo, tivemos até uma certa insegurança, porque a Galinha nunca tinha falado, e isso é uma característica muito forte dela. Precisávamos encontrar uma voz que não quebrasse essa conexão que o público já tinha com a personagem. Quando chegamos ao resultado, gostamos muito e hoje já parece natural ouvir a Galinha falando.
Galinha Pintadinha no seu filme — Foto: Divulgação
gshow: Para o longa, duas novas canções foram feitas. Como foi o processo?
Marcos Luporini: A música sempre esteve no DNA da Galinha, então não faria sentido fazer um filme sem pensar nela como parte da narrativa. Para as músicas inéditas, a preocupação foi criar canções que conversassem com a história e com os personagens, mas que também tivessem aquela característica de serem simples, gostosas de cantar e capazes de ficar na cabeça das crianças.
Ao longo desses 20 anos, a gente aprendeu muito sobre como uma música pode ajudar a contar uma história, e foi muito especial poder levar esse processo para o cinema.
gshow: O filme é a animação mais cara da história do cinema brasileiro e um dos longas-metragens mais caros também. O que ele traz de novidades e inovações em relação à série?
Marcos Luporini: É uma mudança enorme de linguagem. A Galinha nasceu em 2D, com uma estética muito simples e icônica, e levá-la para o 3D significou dar uma dimensão nova para todos os personagens e para esse universo. Também saímos de histórias de poucos minutos para uma narrativa de 78 minutos, com uma aventura que precisava se sustentar como filme. Ficamos quase dois anos trabalhando na história, porque na animação é preciso definir e acertar muita coisa antes de chegar à produção.
Turma da Galinha Pintadinha e Galinha Pintadinha Mini são sucesso entre a criançada — Foto: Reprodução
Ao mesmo tempo, a gente não queria perder a identidade visual da Galinha. Ela é uma personagem muito icônica: você bate o olho no azul, nas pintinhas e na crista vermelha e imediatamente sabe quem é. Então, a oportunidade foi justamente expandir esse universo, apresentar novos personagens, relações e histórias, mas mantendo aquilo que faz a Galinha ser reconhecida imediatamente.
gshow: Ao longo dos anos, a Galinha conquistou milhares de fãs, crescendo com gerações. Esperavam todo esse sucesso?
Juliano Prado: De maneira nenhuma. Quando começamos, não imaginávamos que aquele primeiro vídeo fosse chegar tão longe. A história começou de uma maneira muito despretensiosa e foi o público que mostrou para a gente que existia um espaço enorme para a Galinha. Depois vieram novos personagens, músicas originais, DVDs e todas as outras possibilidades que o universo foi ganhando.
O mais bonito é perceber que ela atravessou gerações. Hoje, temos pais que conheceram a Galinha quando eram crianças e que apresentam as músicas para os próprios filhos. Temos muito orgulho de ter construído, ao longo desses anos, um conteúdo seguro para as crianças e que consegue reunir a família.
Galinha Pintadinha no seu filme — Foto: Divulgação
gshow: E com a maturidade, temas "adultos" começaram a ser tratados, como a separação entre a Galinha e o Galo Carijó, que levou a discussões sobre abandono parental e maternidade. Como essas discussões são trabalhadas com os roteiristas e como vocês veem essa repercussão?
Marcos Luporini: Desde o processo de criação, a gente procura construir histórias que funcionem para a criança, mas que também tenham outras camadas para quem está assistindo junto. No filme, por exemplo, partimos de uma história muito simples, a troca dos ovos, mas ela abre espaço para falar de família, maternidade, coragem, aceitação, diversidade e empoderamento.
A criança pode acompanhar a aventura e os personagens, enquanto o adulto pode enxergar outras questões naquela mesma história. Isso acontece porque a Galinha foi crescendo junto com o público.
Quando você tem uma família assistindo, existem diferentes experiências e diferentes leituras acontecendo ao mesmo tempo. A nossa preocupação é não transformar esses assuntos em uma lição ou em um discurso, mas colocá-los dentro da fábula, de uma maneira que faça sentido para os personagens e para a história. É muito legal quando uma narrativa infantil consegue gerar uma conversa entre pais e filhos depois que o conteúdo termina.

