A Igreja Matriz de Sant'Ana é o principal templo religioso da cidade de Itaúna, Minas Gerais. Faz parte da Diocese de Divinópolis, sendo sede da Forania de Sant'Ana, subdivisão da diocese que engloba as cidades de Itaúna e Itatiaiuçu, e da Paróquia de Sant'Ana. No local onde ela se encontra hoje havia uma capela construída por escravizados, a qual foi substituída por uma igreja de maior porte, que também foi demolida para dar lugar à construção atual. A igreja é patrimônio material tombado pelo município de Itaúna desde 2022.
Histórico
A capela do alto do morro
No começo da ocupação do que se tornaria o município de Itaúna, o primeiro lugar a ter ocupação permanente foi o morro hoje conhecido como Morro do Rosário, no alto dele e em suas encostas. Lá no topo, fora erguida, em 1765, por iniciativa de Manoel Pinto Madureira, uma capela em homenagem à Senhora Sant'Ana. A capela passou a nomear a passagem e posterior arraial: Santana do São João Acima. Em 7 de abril de 1841, o então Curato de Sant'Ana foi elevada à condição de paróquia, e, por conseguinte, a capela ao status de Matriz de Sant'Ana. No entanto, mesmo com a elevação, em 1853, houve uma revolta contra ela. Os frades capuchinhos que moravam e cuidavam da capela perceberam que a igreja em homenagem a Nossa Senhora do Rosário, construída pelos negros numa área plana ao pé do morro e relativamente próxima ao Rio São João, era de muito mais fácil acesso. Foi então determinada a troca dos oragos: a igreja de Nossa Senhora do Rosário foi, paradoxalmente, "rebaixada" para o alto do morro, e Sant'Ana ganhou o ponto mais estratégico.
Matrizes Velha e Nova A capela do Rosário continuou sendo a matriz da paróquia até o ano de 1856, ano em que a igreja construída pelos negros terminou de ser expandida. A obra contou com o apoio da elite local, com os fazendeiros fazendo uma campanha para ajudar a construção. Como cada um queria que, devido à quantidade investida, a porta da igreja fosse virada para sua propriedade, a solução foi oficializar a disputa e quem doasse mais - dinheiro, materiais, escravos - teria a porta em sua direção. No entanto o processo de reforma só foi finalizado em 1875, com o término da pintura realizada pelo sabaraense Pedro Campos, auxiliado por Tonho do Bá, local, a qual ainda foi retocada em 1916 e 1926. Nesse meio tempo, em 1857, o carpinteiro João Julio Cesar Silvino faleceu ao cair enquanto trabalhava. A igreja era composta por uma única nave com duas torres; o comprimento era de 40 metros, com 13 de largura e 17 de altura. O "serviço" dela como matriz, bem como uma cruz de madeira instalada defronte, duraram até 1934, ano em que começou sua demolição, planejada por Pe. Ignacio Campos desde 1931. A obra foi apoiada por políticos, que inclusive lançaram um manifesto intitulado "Um apelo", o qual ressaltava a possibilidade de uso do espaço da praça para a comemoração da festa, em 26 de julho. Além disso, eram apontados motivos como a falta de espaço e a antiguidade da construção. Infelizmente, é possível associar essas justificativas a um ideal de apagamento da história anterior, visto que a igreja era baseada numa capela feita por negros, que, na época da demolição, ainda tinham sido proibidos de festejar o Reinado. Missas passaram a ser campais, nos solários de casas e até mesmo no teatro municipal. Em 1934 a pedra fundamental foi lançada, e está localizada sob base esquerda da porta principal. Nela, foram depositadas fotos da solenidade, jornais e registros da antiga construção. O sino instalado foi importado de Portugal, para substituir o antigo, de bronze, que tinha o brasão imperial em alto relevo. A construção da nova igreja, existente até os dias atuais, perdurou por 7 anos. O arquiteto que projetou a construção se chama Luiz Signorelli, de família italiana e que atuou em Belo Horizonte, contando com apoio do italiano Raffaello Berti, e o mestre de obras foi Antônio Lopes Cançado. Inaugurou-se a nova Matriz no dia 26 de janeiro de 1941, em missa presidida pelo arcebispo de Belo Horizonte, Dom Antônio dos Santos Cabral.
Atualidade
Características O estilo da construção é considerado neogótico, por possuir a construção em forma de cruz, janelas ogivadas e eixo de simetria claro. A igreja é toda pintada de verde por fora. e em forma de cruz latina, com uma nave central e duas menores, uma de cada lado, que são separadas por arcos. No alto da torre há uma cruz iluminável, uma imagem de Ana em pedra sabão e um relógio, cujo sinal sonoro é tocado a cada meia hora. Por dentro, o chão é todo revestido de ladrilhos hidráulicos. No teto, há pinturas representativas de passagens bíblicas, as quais foram feitas entre os anos de 1998 e 2000. No projeto original, a fachada seria de pedra, com imagens sacras, mas, na realidade, foi feita apenas uma parede lisa com três portas. Ambas as laterais são simétricas e contam com portas e cobogós. Existem quatro altares secundários, além da capela-mor centralizada. São 14 imagens sacras na igreja, sendo uma delas a Sant'Ana Mestra, vinda de Portugal e datada de 1735, a qual tem um púlpito próprio.
Símbolo Cultural
Festa de Sant'Ana Patrimônio imaterial do município de Itaúna. Apesar da Senhora Sant'Ana só ter sido oficializada como padroeira do município no ano de 1961, por meio de bula concedida pelo Papa João XXIII, a festa é comemorada desde 1735, na chegada da imagem Mestra, e, ininterruptamente, pelo menos desde 1841, ano que a Paróquia foi instalada na cidade. Sempre se dá no dia 26 de julho, dia dos avós, por ser Ana a avó de Jesus. Além disso, Sant'Ana era considerada a padroeira dos mineradores. Atualmente, percebe-se que a Festa de Sant'Ana, tradicionalmente novenas ou trezenas, extrapola o âmbito religioso: além de movimentar a economia e promover shows públicos, ela não só perpetua as tradições históricas como as atualiza com o passar do tempo.
Corpus Christi Também patrimônio imaterial do município. A festa é caracterizada pela decoração das ruas ao redor da praça com os tapetes, feitos de borra de café, serragem e pigmentos. No município de Itaúna, a tradição começou na década de 1960, sob a organização do professor Marco Elísio Coutinho. Como a montagem dos tapetes necessita de muita mão-de-obra, é necessária toda uma mobilização da sociedade itaunense para que todos os 87 quadros de vinte e quatro metros quadrados sejam preenchidos. Novamente, é uma manifestação cultural cuja importância para a cultura do município ultrapassa o sentido religioso.
Galeria de Imagens
Ver também Igreja de Nossa Senhora do Rosário (Itaúna) Itaúna Santanense (Itaúna) Augusto Gonçalves de Souza Diocese de Divinópolis
Referências