Pesquisa do Instituto Ideia mostra que 71% dos brasileiros querem mais mulheres na política, mas desconfiança ainda barra o voto

3 out 2026 - 04h57

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- Por: Camila Fioranelli, do LAB Eleições

A maioria entre os votantes não é recente, já vem desde o início dos anos 2000, mas a presença feminina nos espaços de poder continua pequena.

Foto: Imagem criada por IA / Gemini

Neste domingo, 4, as mulheres serão 52,81% do eleitorado brasileiro apto a votar nas urnas no primeiro turno: 83,8 milhões de eleitoras, contra 74,8 milhões de homens eleitores, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

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A maioria entre os votantes não é recente, já vem desde o início dos anos 2000, mas a presença feminina nos espaços de poder continua pequena. Hoje, elas ocupam:

- 17% das cadeiras da Câmara dos Deputados

- 19% do Senado

- 8% dos governos estaduais

- 13% das prefeituras

Os números colocam o Brasil apenas no 138º lugar do ranking mundial de mulheres no Parlamento, abaixo da média global (27,3%) e da latino-americana (35,7%), segundo a IPU (União Interparlamentar), organização que reúne parlamentos de mais de 170 países e compila, mensalmente, os dados enviados pelas próprias casas legislativas.

"Existe uma diferença muito grande entre a realidade do Brasil e a forma como a política a espelha. Na verdade, eu diria que não espelha", avalia André Eppinghaus, do Manifesto Confia Nelas, site que reúne nomes de todas as mulheres que são candidatas a algum dos cinco cargos em disputa na eleição 2026: deputado(a) estadual ou distrital, deputado(a) federal, senador(a), governador(a) e presidente da República.
"Quando você olha para a política, a palavra que me vem à cabeça é abismo" - André Eppinghaus, do Confia Nelas, sobre a desigualdade entre homens e mulheres nos cargos políticos
Desejo é por mais mulheres na política, diz pesquisa
A opinião pública, contudo, caminha em direção diferente daquela historicamente refletida nas urnas. É o que mostra um levantamento do Instituto Ideia, em parceria com a Voga Inteligência e Comunicação, realizado junto ao Manifesto Confia Nelas. Foram ouvidas 1.018 pessoas em todas as regiões do país, entre 27 e 28 de julho de 2026.
Embora distante da prática de votar em candidatas, as respostas mostram apoio expressivo à presença feminina no poder:
- 71% acham que é preciso ter mais mulheres na política;
- 50% acreditam que o Brasil seria um lugar melhor com mais mulheres em cargos de decisão; só 3% veem retrocesso;
- 55% associam a maior presença feminina à redução da corrupção;
- 58% reconhecem nas mulheres melhores ideias e soluções para os problemas do país.
Mas por que o desejo não se reflete em voto?
Os entrevistados oferecem uma pista. Para 34%, o principal motivo são o machismo e o preconceito na hora de votar. Outros 35% admitem estranhamento ou desconfiança ao ver uma mulher como prefeita, deputada ou senadora.
A resistência aparece antes do voto, na composição das candidaturas. As mulheres são apenas 35,1% dos candidatos em 2026, e a proporção cai ainda mais nos cargos majoritários (governador, senador e presidente), que não têm cota de gênero: 17,4% das candidaturas a governador e 21,9% ao Senado. A cota só vale para as disputas proporcionais, como as de deputados.
Para presidente, apenas duas mulheres são candidatas - Clariana Barão (DC) e Samara Martins (UP) -, e nenhuma delas foi convidada a participar dos principais debates de emissoras e veículos, devido à representatividade de seus partidos.
O cenário ajuda a explicar por que só 23% das eleitoras dizem se sentir representadas pelos políticos atuais. Ainda assim, 51% defendem que as mudanças para ampliar o espaço das mulheres na sociedade aconteçam de forma rápida, e não gradual.
Conheça as candidatas
O site Confia Nelas reúne a lista completa das 7.357 candidatas de 2026, em todos os cargos. O site também traz a pesquisa completa e o manifesto do movimento, que é suprapartidário e não representa partidos nem candidaturas.
“Essa consciência de conhecer bem os candidatos antes do momento de decisão, antes de escolher quem é que vai nos representar por mais 4 anos, é muito importante se a gente quiser ver uma mudança real acontecendo no Brasil", diz André Eppinghaus, do Confia Nelas
Voto feminino não tem nem 100 anos no Brasil
Embora ainda distante da proporção do eleitorado e do desejo dos brasileiros, a participação feminina na política é, aos olhos da História, realmente recente, datando de menos de 100 anos.
Confira abaixo seis curiosidades sobre a participação das mulheres na política brasileira:
7 Curiosidades sobre a participação das mulheres na política
Foto: Lab/Terra
O LAB é o canal de produção de conteúdo do Terra em parcerias com instituições de ensino de Comunicação. A primeira fase, o LAB Eleições, contempla vídeos e artigos sobre as Eleições 2026 produzidos por alunos da Faculdade Cásper Líbero.
Fonte: LabEleições Laboratório jornalístico de Eleições em parceria do Terra com alunos da Cásper Líbero.
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