Protestos estudantis deixam escolas incendiadas e diretora ferida na França

Mais de 300 mil pessoas foram às ruas em todo o país, segundo sindicato. Crédito: REprodução Redes

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Ao menos duas escolas foram incendiadas durante os protestos contra as más condições de ensino na França. As manifestações se espalharam pelo país e escalaram a crise.

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Ao todo, cerca de 340 manifestações ocorriam em frente a escolas de ensino médio no meio da manhã desta quinta-feira, e mais de 160 estabelecimentos foram fechados como resultado dos protestos, informou a polícia.

Desde a semana passada, alunos realizam protestos em frente às escolas por motivos que vão de horários, tamanho das turmas e falta de professores nas salas de aula superaquecidas durante as ondas de calor deste ano que atingem a Europa.

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O movimento dos lycées, ou escolas de ensino médio, frequentados por estudantes de 15 a 18 anos nos três últimos anos da educação secundária na França, levou à detenção de centenas de jovens nos últimos dias.

Como medida, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu convocou uma reunião de crise nesta quinta-feira e pediu a todos os ministros que adiassem qualquer viagem pelo país, disse uma fonte próxima a ele, para que as autoridades locais pudessem “concentrar seus recursos na gestão” dos protestos.

Os protestos se espalharam pelo país a partir dos subúrbios de Paris, com o governo acusando políticos de extrema esquerda de incentivar a agitação.

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A polícia de choque foi mobilizada para enfrentar os estudantes, e a corporação abriu investigações internas após acusações de violência contra três alunos, segundo o ministro do Interior, Laurent Nunez.

Cerca de 340 manifestações ocorreram em frente a escolas de ensino médio no meio da manhã desta quinta-feira, 1º Foto: Sameer Al-Doumy/AFP

Estudantes universitários também aderiram ao movimento desta quinta-feira, bloqueando o acesso físico a cerca de 30 campi, incluindo universidades em Paris e na cidade de Marselha, no sul do país, informou um sindicato estudantil.
Na cidade de Nantes, no noroeste da França, bombeiros tiveram de intervir para apagar um incêndio na entrada de uma escola de ensino médio “após uma manifestação marcada por violência contra funcionários”, informou o conselho regional de educação.
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Autoridades regionais relataram “atos de violência nas proximidades de escolas de ensino médio”, principalmente em Nantes, responsabilizando “indivíduos violentos” que “se juntam aos estudantes para cometer atos de vandalismo”.
Verão ‘insuportável’
Na cidade de Estrasburgo, no nordeste da França, as autoridades determinaram a paralisação dos bondes para “restringir os movimentos de vândalos e manifestantes”, informou o prefeito regional.
Raphael, de 17 anos, que não informou o sobrenome por medo de represálias, estava entre os manifestantes em frente a uma escola em Estrasburgo, onde alguns usaram barreiras para bloquear os trilhos de bonde próximos.
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“Somos 35 por sala. Com 35°C no verão, é insuportável. Não há banheiros suficientes e há vazamentos de água em algumas salas”, disse Raphael.
“O prédio está caindo aos pedaços, o refeitório é pequeno demais. Não há orçamento, não há recursos, não há supervisores suficientes”, afirmou.
Governo francês acusou o partido de extrema esquerda França Insubmissa (LFI) de incentivar os protestos Foto: Alex Martin/AFP
Nas proximidades, estudantes tiravam fotos de si mesmos diante de lixeiras em chamas, segurando a placa com o nome da escola, arrancada do ponto de bonde.
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A maioria dos alunos não participou dos confrontos que se seguiram. Em vez disso, saíram correndo pela avenida quando a polícia disparou gás lacrimogêneo.
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Na cidade de Lille, no norte do país, repórteres da AFP viram jovens usando capuzes pretos destruírem o vidro de um ponto de ônibus. Bombeiros intervieram para apagar as chamas em lixeiras viradas de cabeça para baixo que haviam sido incendiadas.
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O governo acusou o partido de extrema esquerda França Insubmissa (LFI) de incentivar os protestos.
Mas o candidato do LFI à eleição presidencial de 2027, Jean-Luc Mélenchon, afirmou na quarta-feira que seu partido “convocou para métodos não violentos de luta”./Com informações da AFP e AP
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