NFL no Rio: quem do seu time mandaria bem no futebol americano

Aos 18 anos, Pedro Benedicto saiu de Ariquemes, no interior de Rondônia, e percorreu cerca de 3,2 mil quilômetros até o Rio de Janeiro para realizar um sonho: assistir de perto ao Dallas Cowboys, seu time na NFL, jogar no Brasil. Para estar no Maracanã neste domingo (27), o jovem encarou cerca de 14 horas de viagem e gastou aproximadamente R$ 3,5 mil com passagens e ingresso. E não parou por aí: ele ainda deixou o emprego e vai perder uma semana de provas na faculdade para ver a partida contra o Baltimore Ravens. Mas para o torcedor, todo esse esforço valerá a pena.

O sportv e a ge tv transmitem o NFL Rio Game ao vivo, com sinal aberto também no ge. A partida começa às 17h25 (de Brasília). A TV Globo exibe o show do intervalo, com Pedro Sampaio e Ricky Martin, e, mais tarde, depois do 'Fantástico', mostra um compacto com os principais momentos de Cowboys x Ravens.

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Dallas Cowboys já está no Rio de Janeiro para o NFL Rio Game neste domingo, no Maracanã!
Pedro saiu de casa às 19h30 do último domingo (20). Primeiro, foram cerca de três horas e meia de ônibus até Porto Velho, capital do estado. De lá, embarcou para Guarulhos em uma viagem de aproximadamente três horas e 40 minutos, além do tempo de conexão. Por fim, pegou a ponte aérea até o Rio de Janeiro, acrescentando mais uma hora ao trajeto. Chegou ao destino tão esperado às 9h30 de segunda-feira (21).
— Sou um moleque de Ariquemes, cidade do interior de Rondônia, que fica a 200 km da capital, tem 100 mil habitantes. Não sou de uma família rica, não estaria aqui em condições normais. Aconteceu um conjunto de sortes na minha vida, que me fez primeiro sonhar estar aqui e depois realizar, fazer as compras — contou o fã, em entrevista ao ge.
Pedro Benedicto em ativação da NFL no Rio de Janeiro — Foto: Arquivo Pessoal
A relação de Pedro com a NFL, porém, começou há pouco tempo. Seu primeiro contato com a maior liga de futebol americano do mundo foi em 2022, quando assistiu ao Super Bowl LVI, entre Los Angeles Rams e Cincinnati Bengals. Na época, a experiência não despertou tanto interesse.
Dois anos depois, no entanto, ele voltou a acompanhar a final da liga, desta vez entre Kansas City Chiefs e San Francisco 49ers. Foi quando seu olho começou a brilhar e passou a encarar a NFL de outra forma. Ainda sem conhecer muito sobre as equipes, escolheu o Miami Dolphins como seu time inicialmente, mais pelo escudo do que pela história.
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Em 2025, decidiu acompanhar a temporada com maior frequência e foi quando o Dallas Cowboys entrou definitivamente na história. Pedro lembra de ter acompanhado uma partida contra o New York Giants e de ter se encantado com o kicker Brandon Aubrey e com George Pickens, jogador pelo qual passou a ter grande admiração. Depois, vieram outras partidas que ajudaram a consolidar a paixão pelo time, como uma vitória no Dia de Ação de Graças sobre o Kansas City Chiefs.
A temporada 2025/2026, porém, terminou sem classificação para os playoffs. Mesmo assim, o coração já havia decidido: era Dallas Cowboys.
Jogadores do Dallas Cowboys brindam com coxas de peru após a vitória no dia de Ação de Graças — Foto: Matthew Pearce/Icon Sportswire via Getty Images
Quando a NFL anunciou, em fevereiro, que os Cowboys seriam os mandantes no inédito jogo no Rio de Janeiro, Pedro viu uma oportunidade que parecia difícil de imaginar. E ele não podia deixar essa chance escapar.
— Quando saiu que o Dallas ia jogar aqui no Brasil, eu até estava vendo o Jornal Nacional na hora. Pensei: "Pô, que maneiro, eu tinha que ir para esse jogo". Só que eu nem sonhava, porque eu não sou de família rica, não viajava de avião. Só que uma maré de sorte na minha vida fez com que fosse possível — completou o rondoniense.
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A decisão de viajar para o Rio teve bastante planejamento e dinheiro envolvidos. Para Pedro, assistir ao Cowboys nos Estados Unidos seria um sonho muito mais distante, envolvendo passaporte, visto, passagem internacional, hospedagem e outros tantos custos. No Brasil, a oportunidade era diferente. Ainda seria necessário gastar uma quantia significativa, mas o torcedor enxergou a chance de realizar algo que talvez não pudesse repetir tão cedo.
— Eu posso ter um emprego bom, posso ter semana de prova, mas eu não vou cancelar. Eu vou mesmo assim — refletiu Pedro.
Pedro Benedicto cruzou o país, de Rondônia ao Rio, para ver o Dallas Cowboys jogar no Maracanã — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal
A escolha, no entanto, teve consequências. Pedro havia conseguido um estágio na Prefeitura de Ariquemes e pediu alguns dias de folga para viajar ao Rio. Ele não conseguiu a liberação, mas decidiu embarcar mesmo assim.
— Eu larguei o trabalho para estar aqui. Eu estava trabalhando e estava num trabalho bom, inclusive. Só que pedi uns dias que eu precisaria para ficar aqui e não liberaram. Então, tive que sair — concluiu o torcedor.
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Além do emprego, a viagem também mexeu com a rotina acadêmica. Estudante do segundo período de Ciências Contábeis, Pedro vai perder uma semana de provas e terá de reorganizar o calendário quando voltar para Rondônia para não ser reprovado.
– Estou perdendo uma semana de provas. Vou conseguir fazer uma prova na semana que vem, quando eu chegar A Ariquemes, e terei que acertar tudo para não ficar de exame em todas as matérias. Larguei trabalho, larguei provas, enfim. Fiz muita coisa e estamos aqui agora.
Pedro Benedicto no Rio de Janeiro para assistir ao Dallas Cowboys — Foto: Arquivo Pessoal
Com o ingresso em mãos após cruzar o país, Pedro só quer aproveitar a experiência. Para um torcedor que descobriu a NFL há apenas quatro anos e escolheu seu time quase por acaso, a viagem até o Rio representa mais do que assistir a uma partida. É a oportunidade de ver o Cowboys ao vivo sem precisar atravessar o continente. Pelo menos desta vez.

