Confusão entre promotor e defensor de réu levou à dissolução do Conselho de Sentença em sessão realizada na última quinta-feira, 17

21 set 2026 - 16h09

(atualizado às 16h43)

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Promotor diz ser empurrado por advogado de defesa e Tribunal do Júri é encerrado em São Paulo

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Um Tribunal do Júri realizado no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, terminou em confusão e com o adiamento da sessão após o promotor de Justiça Thomas Mohyico Yabiku cair no plenário e afirmar ter sido empurrado por um advogado de defesa.

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O caso aconteceu na última quinta-feira, 17, no Plenário 4 da 4ª Vara do Júri de São Paulo, durante o julgamento de Emerson Silva de Brito, preso e acusado de participar da morte do catador Marcelo Edimar da Silva, 26, dentro do Autódromo de Interlagos, em novembro de 2024.

O registro da ata da sessão, presidida pelo juiz Paulo Fernando Deroma de Mello, detalha o relato do promotor, que diz que o advogado de defesa Renato Soares do Nascimento se dirigiu a ele 'de forma agressiva' durante sustentação oral da acusação.

Yabiku, então, narra que o defensor teria gritado e posicionado-se à sua frente, empurrando-o com o corpo até que ele caísse no chão. Ele afirmou que outro advogado que acompanhava a sessão na plateia, Mauro Ribas, teria passado a proferir ofensas e xingamentos contra o promotor.

Já Renato Soares apresentou uma versão diferente sobre o ocorrido, afirmando que o conflito começou quando Yabiku se aproximou do réu e referiu-se ao direito constitucional ao silêncio.

O defensor aponta que pediu intervenção ao juiz e, logo em seguida, o promotor foi em sua direção e se jogou propositalmente no chão. Ele aponta que a cena foi gravada por Mauro Ribas a partir da plateia, e que as imagens apontariam para a ausência de contato físico.

Soares e Ribas afirmam que Yabiku teria dobrado os joelhos, sentado e se jogado de costas no chão, enquanto dizia ter sido atingido. Ribas disse, ainda, que foi orientado pelo magistrado a deixar a plateia por conta da gravação e, ao sair da sala, teria sido seguido e provocado pelo promotor.

Diante da ocorrência, a equipe de defesa alegou abalo emocional, e disseram não ter condições para prosseguir com o júri. Deroma de Mello ainda afirmou, em ata, que a interrupção do júri gera custos ao Estado e atrasa a prestação judicial.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) publicou um comunicado em defesa do promotor, manifestando solidariade em razão do ocorrido, e reafirmando 'a necessidade de respeito às prerrogativas funcionais e à integridade de todos os profissionais que atuam no sistema de Justiça' (leia na íntegra abaixo).
O Terra tenta contato com os advogados Mauro Ribas e Renato Soares. O espaço segue aberto para manifestação.
Cármen Lúcia lamenta 'descrença' nas instituições em meio à crise no STF:
Leia, na íntegra, a nota do MP-SP em defesa do promotor:
"Em virtude dos graves acontecimentos registrados durante sessão plenária realizada perante a 4ª Vara do Júri da Capital, a Procuradoria-Geral de Justiça manifesta publicamente seu apoio ao promotor de Justiça Thomas Mohyico Yabiku, em razão do episódio ocorrido no exercício de suas funções perante o Tribunal do Júri.
Conforme declaração expressamente consignada na ata da sessão, durante a sustentação da acusação, um dos defensores colocou-se agressivamente à frente do promotor de Justiça e o empurrou com o corpo, derrubando-o ao chão. Na sequência, outro advogado, que se encontrava na assistência, passou a gritar e a dirigir impropérios ao membro do Ministério Público, mesmo depois de advertido pelo juiz presidente.
Ainda segundo a ata, o promotor de Justiça não revidou e, apesar do ocorrido, declarou-se disposto a prosseguir no julgamento, em respeito aos jurados, às testemunhas, ao Poder Judiciário e ao próprio acusado, que se encontra preso. O prosseguimento da sessão tornou-se inviável após o abandono do plenário pelas defesas, circunstância que levou à dissolução do Conselho de Sentença e ao adiamento do julgamento.
A Procuradoria-Geral de Justiça repudia qualquer ato de violência, intimidação ou constrangimento praticado contra membros do Ministério Público no exercício de suas atribuições. O direito de defesa, a liberdade de atuação profissional e a intensidade própria dos debates perante o Tribunal do Júri não autorizam agressões físicas, ofensas pessoais ou condutas que impeçam o legítimo exercício da função ministerial.
Sem prejuízo da apuração dos fatos e das responsabilidades pelas instâncias competentes, com observância do devido processo legal, a Procuradoria-Geral de Justiça manifesta sua solidariedade ao promotor de Justiça Thomas Mohyico Yabiku e reafirma a necessidade de respeito às prerrogativas funcionais e à integridade de todos os profissionais que atuam no sistema de Justiça".
Fonte: Portal Terra
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