Política / Eleições 2026

Quantidade de sufrágios que não contaram foi mais de 40% maior há oito anos, quando havia duas cadeiras em disputa, do que há quatro, com apenas um eleito por estado
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O plenário do Senado Federal — Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Confusa para o eleitor, a escolha de dois candidatos ao Senado na mesma disputa provoca um crescimento no percentual de votos inválidos. Em 2018, quando cada estado elegeu dois postulantes, 26,9% dos sufrágios em todo o país para o cargo não contaram. Quatro anos depois, com apenas uma cadeira em jogo, o número caiu para 18,7%.
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Compilados pelo cientista político Murilo Medeiros, da UnB, os dados representam uma diferença de mais de 40% entre uma eleição e outra. Em números absolutos, o levantamento aponta que 63 milhões de votos em 2018 não contaram, contra 23 milhões dali a quatro anos.
Pesquisas costumam mostrar que muitos eleitores não sabem que precisam fazer duas escolhas. Assim, acabam votando em branco ou nulo depois de escolher o primeiro candidato. Também há sufrágios que acabam anulados depois de a pessoa digitar números de urna que não são válidos, como os dois dígitos de um determinado partido.
— Essa alternância entre eleições com uma e duas vagas torna a votação para o Senado menos intuitiva. A regra muda de uma eleição para outra e nem sempre é bem compreendida pelo eleitor — avalia Medeiros. — E não existe voto de legenda para senador. O eleitor precisa digitar os três números de um candidato. Se informar somente o número do partido, o voto será considerado nulo.
Os dados dialogam com o que a Quaest mostrou na pesquisa desta semana: 45% dos entrevistados não sabiam que eram duas vagas este ano. Dentro desse conjunto, 29% não souberam responder, e o restante deu respostas erradas. Para 10%, seria apenas um voto, e 6% acham que precisariam votar em três candidatos.
Todo esse universo de dúvidas faz a eleição para o Senado ser cercada de imprevisibilidade e propensa a surpresas. O percentual de eleitores indecisos, por exemplo, só começou a cair de forma mais brusca nesta semana final.
No levantamento de Medeiros, o volume de inválidos em 2022, com apenas uma vaga em jogo, seria ainda mais baixo se o Rio não tivesse tido um caso peculiar, o de Daniel Silveira. Naquele ano, o bolsonarista conseguiu mais de 1,5 milhão de votos, que acabaram anulados porque ele estava inelegível.
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