Alfredo Henrique

Juíza aponta risco de interferência em depoimentos após coronel admitir que tentou contato com uma testemunha, amiga da soldado Gisele

Alfredo Henrique

13/10/2026 18:23

Coronel Geraldo Leite Rosa Neto

A Justiça de São Paulo negou, o fim da tarde desta terça-feira (13/10), o pedido de liberdade do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto (imagem em destaque), réu pelo feminicídio da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, esposa do oficial. A decisão foi tomada seis dias após o Ministério Público de São Paulo (MPSP) se manifestar contra a soltura dele.

A juíza Michelle Porto de Medeiros Cunha Carreiro, da 5ª Vara do Júri, considerou que continuam presentes os motivos que levaram à prisão preventiva do coronel, especialmente o risco de interferência nos depoimentos de testemunhas. O oficial está preso desde 18 de março, um mês após a esposa ser encontrada baleada, na cabeça, no apartamento onde o casal vivia, no centro paulistano.

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Reprodução/Redes Sociais/TJSP
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Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto
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Coronel Geraldo Leite Rosa Neto
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Publicação no Diário Oficial garante salário integral ao coronel, que somou mais de R$ 28 mil, enquanto a PM Gisele recebia R$ 7 mil
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Dentro do apartamento, agentes evitam contato com o sangue da vítima no chão
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Coronel circula pelo imóvel e questiona posição de objetos no quarto
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Cabo impede a entrada e alerta que o imóvel está preservado para perícia
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Coronel chega ao local e tenta entrar no apartamento onde a esposa foi encontrada baleada
Reprodução/Polícia Civil
Tentou contato com testemunha
Um dos pontos destacados pela magistrada é que o próprio Geraldo Neto admitiu, durante interrogatório judicial, ter tentado contato com Sheila Aparecida Magrini, policial militar e amiga da vítima.
Segundo a decisão, ele telefonou ao batalhão onde Sheila trabalhava, alegando que pretendia apresentar sua versão dos acontecimentos.
Para a juíza, o episódio mostra que o risco de pressão sobre testemunhas não é apenas uma hipótese, mas decorre de uma conduta concreta atribuída ao réu.
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Defesa pediu soltura
A defesa sustentou que a prisão já não seria necessária porque as testemunhas haviam sido ouvidas e o réu, interrogado. Como alternativa, pediu a aplicação de outras medidas cautelares.
A Justiça rejeitou o argumento. A magistrada explicou que, caso o coronel seja levado a júri popular, testemunhas poderão voltar a depor diante dos jurados, inclusive aquelas submetidas a medidas de proteção.
O MPSP e os advogados que representam a acusação haviam defendido a manutenção da prisão.
Ao rejeitar o pedido, a juíza determinou que Geraldo Neto continue preso preventivamente. O processo seguirá para a apresentação das manifestações finais das partes.


