Peru vai para a mesa, mas o ovo dele raramente aparece na caixa do supermercado. Não há uma proibição culinária por trás disso: o ovo é comestível. A dificuldade está em produzi-lo a um custo que faça sentido.

A perua começa a botar mais tarde que a galinha poedeira, precisa de mais comida e espaço e rende menos ovos. Para a criação voltada à carne, um ovo fértil ainda tem outro destino possível: a incubadora.

Essa diferença entre vender o ovo e criar o próximo peru ajuda a explicar a ausência nas prateleiras. O sabor, descrito por criadores como parecido com o do ovo de galinha em reportagem da Modern Farmer, não é o principal obstáculo.

A espera pelo primeiro ovo

Ovos de ganso, peru e galinha, da esquerda para a direita. Foto: Tylwyth Eldar / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

Na criação industrial, as peruas matrizes começam a produzir ovos por volta das 28 semanas de idade e botam de forma eficiente por cerca de 26 semanas, com média de 100 a 130 ovos por ciclo, segundo o material do serviço de extensão rural da Universidade Estadual da Pensilvânia. Cada ovo fértil leva de 24 a 32 horas para ser formado.

A National Turkey Federation dá uma faixa um pouco menor: 80 a 100 ovos num ciclo de 25 semanas. Ao fim dele, a ave é considerada “gasta” e normalmente abatida.

Em entrevista à rádio pública WFYI, de Indianápolis, em 2013, a produtora Patty Fuhs resumiu a comparação: perus custam mais, demoram mais para dar ovos, comem o dobro de ração e botam um terço do que botam as galinhas. A reportagem dá os números: uma galinha bota perto de 300 ovos por ano, a perua média, uns 100. E a perua só entra em produção por volta das 32 semanas, enquanto a galinha começa entre 19 e 20 semanas.

No Brasil, o pesquisador Élsio Figueiredo, da Embrapa Suínos e Aves, disse à EBC em 2022 que a perua se torna adulta e começa a postura a partir dos 7 meses. Para a galinha, a tabela da extensão rural da Universidade de New Hampshire indica início por volta dos 4 meses e 250 a 300 ovos por ano nas raças poedeiras mais produtivas.

Mais ração, mais espaço e pausas para chocar

O material da Penn State dá a ordem de grandeza: uma perua come cerca de 46 kg de ração nas 28 semanas de crescimento até a fase adulta.

Há ainda um comportamento que atrapalha a produção. Segundo a reportagem da WFYI, as peruas tendem a “chocar” com facilidade: sentam sobre os ovos e param de botar, algo que a seleção genética reduziu bastante nas galinhas poedeiras.

À Modern Farmer, em 2016, Kimmon Williams, da National Turkey Federation, acrescentou que o peru tem ciclo de vida mais longo e só começa a botar por volta dos 7 meses. A reportagem completa a conta: o peru precisa de muito mais espaço e comida numa granja, o ovo acaba caro, e faz mais sentido criar mais perus do que vender os ovos deles.

A conta termina na incubadora

O ovo de perua é claramente maior: cerca de 80 gramas, contra 50 de um ovo grande de galinha, segundo a WFYI. A casca e a membrana interna são mais grossas, o que dificulta quebrar, e receitas do dia a dia são calibradas para o ovo de galinha. A cor é bege, com pintas marrons.

Na criação comercial voltada à carne, os ovos férteis seguem para a incubação, que dura cerca de 28 dias. É esse uso que a reportagem da Modern Farmer aponta como mais vantajoso para o produtor.

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